Guel Arraes explora o amor em novo trabalho

A pré-estréia de terça-feira (7/10) no cinema Palácio, durante o Festival do Rio, estava com Sab de despedida. Esta sessão de Romance foi a última no cinema, prestes a virar centro de convenções e deixar de ser palco do Festival do Rio.

Assista o Trailer do Filme

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Romance é o novo filme de Guel Arraes e sua sessão contou com a presença do elenco – Letícia Sabatela, Wagner Moura, Andréa Beltrão, Vladimir Brichta e Bruno Garcia eram alguns dos atores presentes – e de algumas celebridades, como Regina Casé, Caetano Veloso – diretor musical do longa -, Carolina Dieckmann e o diretor do filme, que subiu ao palco do Palácio para apresentá-lo. “Este é um pouco diferente dos outros filmes que já fiz”, explicou Arraes. “Aqui, me inspiro nos filmes da Nouvelle Vague e de Domingos Oliveira”, continuou. “Espero não decepcioná-los e chegar à altura destes mestres”.


E, realmente, diferentemente de seus outros trabalhos – como o popular O Auto da Compadecida -, Arraes não explora somente a comédia, mas parece focar muito mais no romance e na exploração da arte dentro da arte. O roteiro, escrito pelo próprio Arraes e do não menos talentoso Jorge Furtado (Saneamento Básico – O Filme), acompanha a história de Pedro (Wagner Moura) e Ana (Letícia Sabatella). Ele é diretor e ator teatral; ela é atriz. Os dois se conhecem quando ele faz audições para sua montagem de Tristão e Isolda, uma das mais clássicas e trágicas histórias de amor já feitas. Quando ela é descoberta pelo executivo de TV Danilo (José Wilker, para quem foram reservadas as mais engraçadas frases do filme), ele logo a contrata para fazer novela. Para Pedro, o trabalho é impensável e o relacionamento entre os dois entra em crise. Não somente afetivo, mas principalmente profissional. Com ciúmes do sucesso da amada na TV, ele rompe a bem-sucedida parceria nos palcos e na vida. Três anos depois, os dois se reencontram para trabalharem juntos num especial para a TV.

Merecem destaque as atuações de Wagner Moura e Letícia Sabatella. Mais uma vez, o ator mostra seu talento multifacetário, desenvolvido em dramas (Cidade Baixa), ação (Tropa de Elite), comédia (Saneamento Básico – O Filme) e agora num romance. Letícia, que começa a ser mais vista em cinema somente no último ano, – apesar da grande popularidade em TV – segura muito bem a onda de dividir a cena com Moura. A química entre os dois frente à tela existe e ainda tem a questão dela ser belíssima, o que acaba dando um toque a mais de encantamento ao filme.


Além de explorar os meandros, dramas e tragédias do amor, Romance também explora muito bem as relações que os atores tem com a dramaturgia. Arraes coloca teatro e TV dentro do cinema e resolve discutir, de forma leve, a relação entre os tipos de veículos e como os atores são capazes de lidar com ambos. Com diálogos afiados e divertidos – com destaque para a personagem de Andréa Beltrão, sempre apresentando belos trabalhos de atuação, não canso de dizer -, Romance apela bem menos para a comédia do que se poderia esperar de Arraes, mas nem por isso é ruim, pelo contrário. O diretor cumpre o desafio de apresentar um belo filme saindo dos moldes já consagrados junto ao público.

Para quem se interessou, o filme estréia nos cinemas dia 14 de novembro. O trailer já pode ser visto tanto no site do filme, quanto no YOUTUBE.

Fonte: Cinema em Cena

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=R8tVhUFJ1Js

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outubro 14, 2008. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Notícias. Deixe um comentário.

Dercy será enterrada com samba feito em sua homenagem

Paetês dourados, maquiagem e peruca impecáveis. Foi assim que o corpo da comediante Dercy Gonçalves foi velado ontem na sede da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O livro de presença registrou a vinda de mais de 600 pessoas. O corpo da atriz chega hoje (21) à sua cidade natal, Santa Maria Madalena (a 223 km do Rio), onde será recebido com festa.

Como era o desejo da própria Dercy, no lugar de marcha fúnebre, a trilha sonora do velório será o samba-enredo feito em sua homenagem pela escola de samba Unidos da Viradouro, para o desfile de 1992.

O corpo será enterrado amanhã para coincidir com os festejos pelo dia da padroeira da sua cidade. Dercy costumava participar do culto e teria dito que gostaria de morrer no dia da padroeira.

A comediante morreu no sábado, aos 101 anos, no hospital São Lucas, no Rio, vítima de uma pneumonia.

No velório de ontem, familiares e amigos destacaram sua alegria e irreverência durante a vida. Amigos da velha guarda, como as ex-vedetes Virgínia Lane, Ester Tassitano, o compositor Billy Blanco e a cantora Adelaide Quioso.

A única filha, Dercimar, encarou a a morte da mãe como o fim de uma longa jornada cheia de conquistas e que por isso não havia motivo para tristezas. Ela destacou que Dercy conseguiu viver para receber toda a recompensa de sua luta e seu trabalho.

“Ela resgatou tudo. Isso aqui não é um momento infeliz. Tem tudo isso, todo mundo prestigiando. Acho que isso conforta a ela e a mim também”, declarou Dercimar.

A atriz Marília Pêra, que dirigirá a peça “Dercy por Fafy”, em homenagem à atriz, prevista para estrear em março do ano que vem, destacou a influência de Dercy para o teatro brasileiro.

“A Dercy deixou para a gente um estilo novo. Foi ela que transformou o teatro brasileiro no que ele é. Ela é a fonte de muitas vertentes atuais”, afirmou a atriz.

Marília acrescentou que sua primeira lembrança ligada a Dercy é de ainda pequena, quando seu pai (Manoel Pêra, que também era ator) comentou em casa sobre uma nova atriz muito corajosa.

“Ela dizia palavrões em uma época em que atriz tinha que tomar cuidado para não ser vista como prostituta. Brigava corpo-a-corpo com os censores; quebrava todas as regras do comportamento feminino no teatro”, lembrou Marília.

Além dos palavrões

Os amigos mais próximos lembraram que, na vida pessoal, Dercy era alguém que ia muito além dos palavrões que inúmeras vezes repetia publicamente.

“Muito mais importante do que a caricatura da Dercy é a Dercy revolucionária, uma artista incrível, sempre solidária com os colegas de trabalho”, afirmou o ator Stepan Nercessian, presidente do Retiro dos Artistas, diversas vezes visitado pela comediante.

O caricaturista Ziraldo, que a entrevistou em um momento de relançamento do jornal “O Pasquim”, apontou a morte de Dercy como um pedaço do século 20 que acaba: “Um século não acaba em um dia, acaba aos poucos. Com a morte da Dercy, ele acaba quase completamente”.

O cantor Agnaldo Timóteo, que também foi prestar sua última homenagem à comediante, disse que Dercy “brincou com a vida”.

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julho 21, 2008. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Notícias. 1 comentário.